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Ilde Taques é eleito presidente da Câmara de Cuiabá com 27 votos

O vereador Ilde Taques (Podemos) foi eleito, por unanimidade, presidente da Câmara Municipal de Cuiabá para o biênio 2027/2028. A chapa “Lealdade e Compromisso” recebeu os votos dos 27 vereadores durante sessão realizada na manhã desta terça-feira (6).

A nova Mesa Diretora será composta ainda por Eduardo Magalhães (Republicanos), como primeiro vice-presidente; Maria Avallone (PSDB), como segunda vice-presidente; Adevair Cabral (Solidariedade), como primeiro-secretário; e Michelly Alencar (União Brasil), como segunda-secretária.

A eleição encerra uma disputa que se arrastou por semanas e foi marcada por mudanças de alianças, rachas e tentativas frustradas de formação de uma chapa para enfrentar Ilde.

Inicialmente, o grupo ligado à atual presidente da Câmara, Paula Calil (PL), trabalhava para garantir a própria recondução ao cargo. A estratégia, porém, dependia de uma alteração no Regimento Interno da Casa, que não avançou.

Diante do impasse, Dilemário Alencar (União Brasil), então aliado de Paula e ex-líder do prefeito Abilio Brunini (PL), passou a ser tratado como plano B do grupo para a Presidência.

O bloco chegou a reunir 13 vereadores em torno de Dilemário e buscava conquistar pelo menos mais um voto para alcançar a maioria necessária de 14 parlamentares. A articulação, entretanto, começou a perder força após vereadores deixarem o grupo e aderirem à candidatura de Ilde.

Entre os movimentos que alteraram a disputa esteve a saída de Baixinha Giraldelli (Solidariedade), que abandonou a articulação de Dilemário e passou a apoiar Ilde. Depois, Antônio Lemes (PSD) também deixou o grupo e aderiu ao bloco do vereador do Podemos.

O próprio Dilemário reconheceu a falta de unidade entre os aliados e, na manhã desta terça-feira, anunciou que estava desistindo da candidatura.

“Na última semana, fui procurado pelo grupo da Paula para fazer uma composição. Chegamos a reunir 13 vereadores e divulgamos uma fotografia para mostrar essa unidade. Entretanto, a unidade não demorou 24 horas, pois um dos vereadores que posaram para a fotografia resolveu tirar uma outra fotografia com o grupo do Ilde. Isso me deixou muito decepcionado”, afirmou.

Segundo Dilemário, a situação se agravou após Kássio Coelho (Podemos) anunciar que também poderia disputar a Presidência da Câmara.

“Esses posicionamentos deixaram muito claro que o grupo dos 12 não tem unidade. E, desta forma, não tem como disputar uma eleição que precisa de, no mínimo, 14 votos para vencer a disputa pela Mesa Diretora”, declarou.

Ao anunciar a desistência, Dilemário afirmou que poderia votar em Ilde caso o vereador aceitasse incorporar algumas das propostas que defendia para a Câmara, entre elas mudanças no Regimento Interno, criação da Secretaria da Mulher, realização de sessões ordinárias nos bairros, fortalecimento da Ouvidoria e revisão da Lei Orgânica do Município.

Chapa única

Com a desistência de Dilemário e a decisão da base do prefeito Abilio Brunini de não apresentar uma candidatura própria, Ilde chegou à sessão como único candidato à Presidência.

A articulação do vereador do Podemos já havia alcançado maioria antes da votação, mas a composição final ampliou o grupo e garantiu apoio integral dos 27 parlamentares.

Além de Ilde, Eduardo Magalhães, Maria Avallone, Adevair Cabral e Michelly Alencar, todos os demais vereadores declararam voto na chapa “Lealdade e Compromisso”.

Relação com Abilio

A eleição também representa uma mudança na correlação de forças entre a Câmara e o prefeito Abilio Brunini.

Durante as articulações, o prefeito tentou manter influência sobre a composição da Mesa e chegou a trabalhar pela construção de uma candidatura alternativa. Sem conseguir reunir um nome capaz de enfrentar Ilde, porém, liberou os vereadores de sua base para decidirem individualmente seus votos.

Após ser eleito, Ilde afirmou que pretende manter uma relação institucional com o Executivo, mas deixou claro que a Câmara não será subordinada à Prefeitura.

“Não vamos ser um puxadinho da Prefeitura. Vamos cumprir nossa missão constitucional de fiscalizar os gastos públicos”, afirmou o novo presidente.

Ilde também defendeu diálogo com Abilio e afirmou que os dois Poderes precisam trabalhar conjuntamente em pautas de interesse de Cuiabá.

A nova Mesa Diretora assumirá o comando da Câmara no biênio 2027/2028, período em que o Legislativo terá papel importante na relação com o Executivo e nas articulações políticas que antecederão as eleições municipais de 2028.

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