O deputado estadual Júlio Campos (União) atribuiu a derrota na tentativa de reeleição a uma combinação de problemas dentro do próprio partido, falta de estrutura no palanque de Wellington Fagundes (PL) e os efeitos da polarização política nacional sobre a eleição em Mato Grosso.
Júlio recebeu 18.517 votos e terminou como primeiro suplente da coligação. Em entrevista nesta quarta-feira (7), o parlamentar afirmou que sua campanha foi planejada para alcançar cerca de 40 mil votos, mas acabou prejudicada pelo que classificou como esvaziamento da chapa do União Brasil e pela falta de apoio financeiro da legenda.
Segundo Júlio, a direção estadual do União Brasil, comandada pelo senador eleito Mauro Mendes, teria permitido a saída de candidatos competitivos no período final de filiações, enfraquecendo a chapa proporcional. Ele citou Allan Porto, Gilberto Figueiredo e Wagner Ramos entre os nomes que deixaram a legenda para disputar por outros partidos.
O deputado afirmou ainda que apenas quatro candidatos da chapa tiveram votação expressiva. Juntos, segundo ele, Júlio, Dilmar Dal Bosco, Sebastião Rezende e Michelly Alencar somaram cerca de 120 mil votos, enquanto os demais candidatos não alcançaram votação suficiente para garantir uma terceira vaga à coligação.
“Os quatro fizemos 120 mil votos, mas os demais tiveram votação insuficiente para garantir a terceira vaga”, afirmou.
Júlio também reclamou da distribuição do Fundo Eleitoral. De acordo com o parlamentar, ele teria sido o único candidato do União Brasil a não receber recursos do fundo por decisão da executiva estadual, enquanto outros candidatos teriam recebido repasses de até R$ 2,9 milhões.
“A minha campanha foi extremamente humilde, financiada com recursos próprios e doações de familiares e amigos”, disse.
Outro fator apontado pelo deputado foi a disputa interna do União Brasil que impediu a candidatura de seu irmão, o senador Jayme Campos, ao Governo de Mato Grosso. Após a convenção partidária definir o apoio da legenda à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos), Júlio e Jayme decidiram apoiar Wellington Fagundes. A chapa defendida pelos irmãos recebeu 19 dos 50 votos na convenção, enquanto a proposta de apoio a Pivetta teve 30 votos.
Júlio afirmou que a escolha acabou deixando-o sem um palanque competitivo durante a campanha. Segundo ele, Wellington não conseguiu imprimir ritmo à candidatura, especialmente no interior do estado.
“Fiquei sem palanque. Não podia participar do palanque do partido nem do outro lado. E o Wellington não fez campanha na rua, praticamente não existiu no interior”, avaliou.
O deputado também citou a polarização nacional como um dos fatores que, na avaliação dele, alteraram o comportamento do eleitorado mato-grossense. Júlio afirmou que candidaturas identificadas com a direita bolsonarista e com a esquerda tiveram desempenho acima das expectativas, reduzindo o espaço para candidatos tradicionais de centro-direita.
Apesar da derrota, Júlio afirmou que pretende cumprir o restante do mandato na Assembleia Legislativa com assiduidade e continuar atuando na vida pública de Mato Grosso.
O resultado de 2026 representa uma queda de mais de 45% na votação do parlamentar em relação à eleição de 2022, quando recebeu 33.800 votos e foi eleito para a Assembleia Legislativa.

