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Abilio exclui vereadores de grupo da base no WhatsApp e diz que decisão foi estratégica

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), excluiu diversos vereadores do grupo de WhatsApp “Vereadores 2025 e Prefeito” após o agravamento da crise política entre o Executivo e parte da base aliada na Câmara Municipal. A medida foi tomada durante a sessão plenária de quinta-feira (9), marcada por críticas de parlamentares à tentativa do prefeito de alterar o regimento interno da Casa para viabilizar a reeleição da presidente da Mesa Diretora, Paula Calil (PL).

Entre os vereadores removidos do grupo estão Alex Rodrigues (Podemos), Eduardo Magalhães (Republicanos), Sargento Joelson (Podemos), Katiuscia Manteli (Podemos), Michelly Alencar (União Brasil) e Dra. Mara (Podemos), que confirmou a exclusão na manhã desta sexta-feira (10).

A decisão ocorreu no momento em que vereadores da própria base passaram a criticar publicamente a iniciativa de Abilio de recorrer à Justiça para alterar as regras do Legislativo. Atualmente, o regimento interno da Câmara impede a reeleição consecutiva para a presidência da Mesa Diretora.

Durante a sessão, a vereadora Katiuscia Manteli fez duras críticas ao prefeito e afirmou que ele não sabe lidar com decisões contrárias aos seus interesses.

“Sou mãe há 12 anos e isso, para mim, é atitude de criança mimada que não sabe ouvir um ‘não’. Não conseguiu mudar o regimento? Vai à Justiça. Não conseguiu mudar um lote? Baixa um decreto. Não é assim que funciona. O ‘não’ para o senhor vai continuar”, declarou.

A parlamentar também lembrou que, em 2018, o próprio Abilio acionou a Justiça contra uma proposta semelhante quando era vereador.

“Em 2018, o senhor impetrou um mandado de segurança contra um projeto de resolução que mudava o regimento dessa Casa e previa a reeleição. O senhor foi contra. O que mudou de lá para cá? Qual é o seu interesse em interferir na Justiça agora para mudar o regimento? É uma ação desesperada”, afirmou.

Outro fator que ampliou a crise foi o anúncio do vereador Dilemário Alencar (União Brasil), que deixou a base do prefeito e reafirmou sua pré-candidatura à presidência da Câmara.

“Eu não aceito interferência da Prefeitura de Cuiabá, nem da Assembleia Legislativa e de nenhum outro organismo, a não ser a decisão soberana dos 27 vereadores”, disse.

A ofensiva do Executivo ocorreu após Paula Calil enfrentar dificuldades para reunir os 18 votos necessários para aprovar a alteração no regimento. Diante do impasse, Abilio ingressou no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), buscando derrubar a exigência de quórum qualificado para mudanças no regimento interno.

A iniciativa, no entanto, acabou provocando reação de vereadores da base e fortaleceu a articulação do grupo liderado pelo pré-candidato Ilde Taques (Podemos), aprofundando o desgaste entre o Executivo e o Legislativo.

Em entrevista à Rádio CBN Cuiabá, nesta sexta-feira (10), Abilio Brunini negou que a exclusão dos parlamentares tenha sido motivada por questões pessoais. Segundo ele, o grupo de WhatsApp tem como finalidade reunir apenas vereadores que integram a base de apoio da gestão.

“Não é que eu excluí os vereadores porque não quero amizade. Ali é um grupo da base. Vereadores que optaram por caminhos divergentes não estão na base. Como eu vou comunicar estratégias da base para um grupo de vereadores que está jogando contra a gente em algumas estratégias?”, afirmou.

O prefeito explicou que o grupo serve para tratar de assuntos internos da articulação política do Executivo e que, quando houver temas de interesse de todos os parlamentares, a comunicação será feita de forma ampla.

“Quando eu tiver que comunicar algo a todos os vereadores, a gente comunica a todos os vereadores. Mas, quando eu tiver que comunicar apenas ao grupo de base, a gente vai comunicar apenas ao grupo de base”, disse.

Questionado se os parlamentares excluídos passaram a ser considerados oposição, Abilio negou.

“Não necessariamente. Alguns desses vereadores optaram pela independência política, por não serem nem base nem oposição. Mas, ainda assim, a gente tem que tomar uma certa cautela com as estratégias do Poder Executivo”, concluiu.

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