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Secretário diz que vai “enfartar” e abandona audiência sobre atrasos do BRT

O secretário estadual de Infraestrutura, Marcelo Padeiro, deixou a audiência pública que discutia os atrasos das obras do BRT em Cuiabá, realizada nesta segunda-feira (13), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Antes de abandonar a sessão, convocada pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT), o gestor afirmou que preferia sair para não “enfartar” diante do que gostaria de dizer.

Visivelmente irritado, Padeiro interrompeu sua participação antes mesmo de responder aos questionamentos dos parlamentares. Ao justificar a saída, voltou a atribuir parte dos problemas enfrentados pelo BRT ao antigo projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

“Com todo o respeito, a minha equipe vai responder. Isaac, você responde à parte técnica. A outra parte deixa para o doutor Carlos responder. E, com todo o respeito que eu tenho por vocês, eu vou pedir licença, porque eu sou muito nervoso. Tem coisa que eu quero falar e isso vai me enfartar, porque eu não quero falar. Eu quero falar, mas eu não vou falar, porque isso vai me enfartar”, afirmou, antes de deixar o plenário.

Na sequência, o secretário comparou a atual condução das obras do BRT com o projeto do VLT e criticou a execução do modal abandonado.

“Com todo respeito, engraçado é que quando chegaram os trens [do VLT], teve foguetório na cidade, mas não tinha trilho assentado e ninguém falou nada. Foram pagos milhões e milhões de reais e os trens ficaram parados por 10 anos”, declarou.

Esta foi a segunda vez que Padeiro foi convocado pela Assembleia para prestar esclarecimentos sobre os contratos do BRT, que já ultrapassam R$ 530 milhões. Na primeira convocação, ele não compareceu.

As obras do VLT de Cuiabá e Várzea Grande foram lançadas como um dos principais legados da Copa do Mundo de 2014, mas nunca foram concluídas. O empreendimento acumulou atrasos, aditivos contratuais e foi alvo de investigações por suspeitas de corrupção e superfaturamento, tornando-se um dos maiores escândalos envolvendo obras públicas em Mato Grosso.

Antes de deixar a audiência, Padeiro também defendeu os critérios adotados pela Sinfra para autorizar pagamentos às empresas responsáveis pelo BRT. Segundo ele, o baixo percentual de execução das estações e dos terminais citado por Lúdio demonstra o rigor da fiscalização.

“O deputado deu exemplo aqui: as estações 1% executadas, porque é 1% que está pago. Os terminais, 0% pagos. Não teve adiantamento, não teve nada. As medições têm brigas homéricas. Enquanto não cumprir os requisitos, o papel não sai daqui”, disse.

O secretário ainda afirmou que, se a atual equipe técnica da Sinfra estivesse à frente da extinta Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), os trens do VLT sequer teriam chegado a Cuiabá sem o cumprimento das exigências técnicas.

“Esse pessoal precisava estar lá. E eu vim sair de lá porque minha assinatura não estava lá dentro, não. Por isso que eu não respondi nada. Obrigado mais uma vez por vocês estarem do meu lado dentro da Sinfra”, afirmou. Padeiro ocupou o cargo de secretário-adjunto de Infraestrutura na Secopa.

Após a saída do secretário, Lúdio Cabral disse respeitar a decisão de Padeiro, mas lembrou que a audiência era de convocação e que ele deveria permanecer até o encerramento dos trabalhos.

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